sexta-feira, 28 de junho de 2013

Simpósios de Vigilância em Saúde

Por Edu Marcondes


Ao acompanhar de perto as atividades do 2º simpósio de saúde do trabalhador, organizado pelo CEREST de Dourados, antes de tudo tenho de externar um grande agradecimento e congratulações a equipe. O evento estava verdadeiramente muito bem organizado e com um alto nível técnico, o que certamente propiciou o engrandecimento de todos que puderam acompanhar as atividades.

É motivo de grande alegria poder ver que uma idéia bem simples foi assimilada por toda a equipe de vigilância em saúde de Dourados-Ms e vem rendendo grandiosos resultados. Ver, a cada novo simpósio o número e o nível dos participantes sem dúvida alguma credencia o caminho correto que esse segmento de saúde vem percorrendo em nossa cidade.

A idéia simples, basicamente consiste em realizar um simpósio mensal sobre cada uma das áreas de vigilância que compõe o Departamento de Vigilância em Saúde da secretaria municipal de saúde de Dourados; sendo que em Outubro esse ciclo anualmente se encerra com o Fórum Regional de Vigilância em saúde. Onde há debates técnicos de avaliação dos resultados obtidos no ano e se propõe estratégias para o planejamento do ano seguinte.

Cada um dos simpósios tem o objetivo de levar informações técnicas e aprofundamentos acerca da área que se está trabalhado; Para profissionais de saúde da rede, estudantes, trabalhadores e toda a comunidade, por quem quer que possa se interessar. Com isso espera-se que a informação real e concreta, bem as informações necessárias cheguem da melhor forma possível a essas pessoas, e elas sirvam como disseminadores na sociedade, para com isso, quem sabe promover mudanças de comportamentos que levem a prevenção das doenças e agravos.

Hoje o simpósio foi de vigilância em saúde do trabalhador, e assim como havia ocorrido no de zoonoses, de DST, e de vigilância sanitária, é de causar emoção ver que o auditório da prefeitura está ficando pequeno frente ao grande interesse da população; Em todos foi necessário vetar inscrições e buscar recursos complementares de assentos e acomodações para as pessoas.

E isso é claro fruto do esforço de cada uma das equipes da vigilância, e hoje em especial a do CEREST; Que acreditaram de fato no ideal de construção de uma cidade com mais conhecimento e por conseqüência com melhor qualidade de vida. Todos têm estado imbuídos em cumprir a risca o calendário de ações de vigilância e construir em conjunto essa realidade. Por isso como cidadão, agradeço a cada um dos colegas.

Torço para que esse importante mecanismo de consolidação de informações se perpetue em Dourados-Ms, já que, como é clara a convicção de que a informação e o conhecimento podem mudar a realidade de uma sociedade. É clara também a percepção de que essa informação somente se consolida e transforma com o passar dos anos.


Este é apenas o segundo ano de implementação da proposta, que de já começa a melhorar, ainda que timidamente, os indicadores de saúde da nossa cidade. Há muito trabalho pela frente; Tomara que todos que venham a estar a frente de nossas equipes no futuro queiram de verdade continuar contribuindo por uma cidade melhor, e mais saudável.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A importância da integralidade no SUS

  Por Edu Marcondes   
 Foto: Site Prefeitura Municipal de Dourados
      

             Ao receber a missão de proceder a uma palestra no simpósio de saúde do trabalhador, organizado pelo CEREST de Dourados-Ms, tive a oportunidade de falar sobre a importância da integração do sistema SUS. De fato não é um tema dos mais simplistas, sobretudo pela complexidade de entendimentos e conhecimentos que isso envolve.

            Além de conhecimentos difusos, e entendimentos diversos, a integração dos serviços de saúde, esbarra em dois outros fatores extremamente preponderantes; a distribuição de recursos, e os interesses pessoais e políticos, de servidores e representantes sociais. Que só pensam de verdade em si próprios e tentam se apoderam das fatias da estrutura, com se sua fossem, para lograr privilégios de toda sorte.

            Mas vamos tentar pensar de forma coletiva e isenta; Todos sabem que o nosso Sistema Único de Saúde – SUS – foi concebido da demanda social por um atendimento universal e igualitário para todos os cidadãos brasileiros, e não apenas para os segurados. Em sendo assim ele tem sua premissa mais básica a necessidade de ser um sistema nacional.

            Se ele deve atender todos os brasileiros, ele não pode ser bom em uma cidade e péssimo em outra, o cidadão tem o direito de ser atendido e o estado tem o dever de atendê-lo. Porem esse atendimento não precisa necessariamente ser fixo, segmentado ou engessado. Ele deve fazer parte de uma rede de saúde, que possa dar a esse cidadão garantias em qualquer lugar do território nacional.

            A grande dificuldade que enfrentamos hoje é de que as pessoas, usuários, gestores e, sobretudo políticos, entendam que não existe uma unidade que seja mais importante que a outra, serviço que se sobreponha as secretarias que por sua vez compõe uma rede. Não existe lógica de garantia de um serviço de saúde minimamente razoável de forma segmentada, onde um quer ganhar mais que o outro; Ou ter mais privilégios que outros.

            Trazendo o assunto para o campo mais prático, pode-se esclarecer que o ministério da saúde, através das secretarias estaduais de saúde tem buscado ativar mecanismos de comprometimento dos municípios para garantir tanto o atendimento integrado de saúde, como indicadores de qualidade para a população.

            Para tanto a estrutura de saúde hoje é dividida no que chamamos de regiões de saúde, macro e micro regiões. Que agrupam os municípios tendo sempre um com melhor estrutura que é denominado sede da micro, e sede de macro. Essa estrutura tem a pretensão de garantir que um pequeno município sem a menor condição de atendimento possa encaminhar seu cidadão para ser atendimento numa sede de micro; E em necessitando de maior complexidade de atendimento que seja encaminhado para a sede da macro.

            Teoricamente é um modelo lógico, mas que tem demonstrado um brutal nível de esgotamento, já que essas sedes, tem cada vez menos capacidade de financiamento para atender essa população cada vez mais crescente. Por sua vez os pequenos municípios têm demonstrado cada vez menos interesse em equipar suas próprias redes.

            É muito importante que todos entendam que antes de se compor uma grande rede nacional como necessita o SUS, os municípios estruturem suas redes internas, com uma atenção primária de saúde e uma vigilância em saúde única e atuante. Dentro dessas redes primárias, não possível que se tenha um serviço especifico que trabalhe de forma independente ou uma atenção a saúde, que não tenha acesso aos indicadores de vigilância do município para direcionar suas ações, e assim por diante.

            Para a rede SUS funcionar, é vital o entendimento que todos são uma coisa só, todos estão no mesmo barco, que as redes de saúde devem começar, ainda que pequenas, nos próprios municípios, por menores que sejam. Daí os municípios devem se integrar de forma universal em todo o território nacional, de forma que se possa um sistema de saúde efetivamente ÚNICO e de mesma qualidade em qualquer recanto do Brasil.