terça-feira, 27 de março de 2012

Olhando o outro lado

por Paulo Coelho | categoria Todas
 

Fan Chi passeava com Confúcio pelo terraço dos Dançadores da Chuva. Lá embaixo, os jovens ensaiavam a coreografia do novo ballet.
“Veja a harmonia de seus movimentos”, comentou o mestre. “Exaltam a virtude, descobrem o segredo do mal, e identificam a confusão”.
“Pois a dança me parece algo superficial” respondeu Fan Chi. “Não acharia melhor que estivessem dedicando seu tempo a meditar?”
E Confúcio comentou:“Excelente questão! Se acreditarmos que existe apenas um caminho para a sabedoria, em breve estaremos exaustos e sem entusiasmo. Seja na meditação, na dança, na jardinagem, ou mesmo na fabricação de vinho, qualquer pessoa que colocar o esforço na frente da recompensa, exalta a virtude. À medida que se aperfeiçoa, enfrenta-se com o que há de ruim em si mesmo, e descobre os segredos do mal. Finalmente, quando está diante de um obstáculo, é capaz de identificá-lo antes que ele lhe cause problemas, e assim jamais deixa-se confundir.”

I OFICINA ESTADUAL DE SAÚDE PÚBLICA VETERINÁRIA

sábado, 24 de março de 2012

Comissão Estadual de Saúde Pública Veterinária do CRMV/MS realiza sua I OFICINA

Autor:Comunicação CRMV/MS - http://www.crmvms.org.br/?pag=noticias_conteudo&chv_noticia=456
   



 
A saúde pública veterinária tem se evidenciado como um importante segmento de atuação profissional; com considerável relevância para a contribuição social tendo em vista a abrangência de sua atuação. Bem como, para o crescimento profissional e respeitabilidade sob a ótica interna da profissão.

Sendo atualmente impossível referir-se a um “sistema público de saúde”, devido a diversidade e complexidade que a sociedade impõe a esse sistema sem contar com a alça de atribuições da medicina veterinária.

Frente à essa nova realidade e demanda, a profissão necessita estar completamente conectada e preparada para atendê-la. Para tanto, é prioritário que a medicina veterinária debata sua estrutura de forma madura, para então, criar uma nova perspectiva de atuação, sem perder o foco de seu cerne; razão de ser e existir enquanto profissão.

O fato é que a medicina veterinária, figura-se como a profissão com melhores condições técnicas para assumir o papel de prevenir as doenças comuns em centros urbanos da atualidade; seja no controle vetorial, no manejo e posse responsável de animais, no manuseio e conservação de alimentos; Tanto quanto na preservação e higiene ambiental, melhorando assim a qualidade de vida das pessoas, para que de fato tenham mais SAÚDE.

DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES
PROGRAMAÇÃO
Data: 30 e 31 de março
Local: Auditório da UCDB
Horários: 8:00 – 12:00 / 13:30 – 17:30
Dia 30/3
8:00 – 9:00 Abertura
9:30 – 10:00 Inserção do médico veterinário no NASF
10:00 – 11:00 Importância da qualidade da atuação profissional
11:00 – 12:00 Ensino de saúde pública veterinária
12:00 – 13:30 Almoço
13:30 – 17:30 Trabalhos em grupo
Dia 31/3
8:00 – 10:30 Debates
10:30 – 12:00 Elaboração do texto com propostas

RESULTADOS ESPERADOS
  • Demonstrar aos acadêmicos e instituições de ensino as novas perspectivas da profissão a partir da nova portaria do Mato Grosso do Sul, sobre o fortalecimento da atenção básica.
  • Demonstrar às universidades a atual realidade na formação profissional.
  • Produzir por meio de uma construção coletiva, junto às instituições de ensino, acadêmico, e o CRMV-MS propostas que possam despertar o início de ações concretas que possibilitem condições para a medicina veterinária estar preparada frente à nova demanda.
  • Eduardo Arteiro Marcondes
    Vice-Presidente / Coordenador da Comissão Estadual de Saúde Pública Veterinária
    Sibele Cação
    Presidente do CRMV-MS
    Campo Grande, 22 de Março de 2012.

    Fonte:Comunicação CRMV/MS

    sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

    O teste do marshmallow

    por Alysson Muotri |categoria Espiral


    O ano novo chegou e agora, algumas semanas já se passaram em janeiro e eu pergunto a quantas andam suas resoluções e promessas de ano novo? Lógico, estou falando daquelas de curto prazo: controlar a alimentação, fazer mais exercícios, começar aprender uma nova língua. É curioso como algumas pessoas conseguem seguir em frente com as resoluções de ano novo, enquanto outras acabam desistindo cedo e voltam ao comportamento anterior. Seria esse poder determinista algo que algumas pessoas nascem com ele ou isso é algo que pode ser ensinado?

    Gostaria de tentar responder essa pergunta usando como exemplo o trabalho do psicólogo Walter Mischel, da Universidade Columbia, em Nova York, EUA. Walter tem um trabalho excelente que começou com uma observação curiosa em suas próprias filhas. Na final dos anos 60, Walter tinha três meninas com idades entre 2 e 5 anos. Como muitos pais provavelmente notam, muitas mudanças acontecem no comportamento das crianças por volta dos 4 anos. Quando uma das suas filhas fez 4 anos, ela adquiriu repentinamente a capacidade de retardar a gratificação imediata. Andando no mercado, a menina fazia um escândalo porque queria alguma coisa e tinha que ser na hora. Depois dos 4 anos, passou a entender que se esperasse ao chegar em casa, poderia negociar algo melhor. Walter observou esse tipo de autocontrole acontecer com todas as suas filhas, como se estivessem programadas pra isso.



    Na ausência de qualquer literatura cientifica sobre o assunto naquela época, Walter decidiu aplicar uma metodologia cientifica para confirmar essas obervações preliminares. Inventou o teste do marshmallow. Recrutou crianças com diversas idades na escolinha das filhas e as colocou num quarto, sentadas de frente para uma mesa com um prato com um marshmallow. Falou para cada uma delas que poderiam comer o marshmallow na hora, ou esperar um pouco e ai teriam dois marshmallows. Nesse instante, Walter deixava as crianças sozinhas no quarto e registrava a reação de cada uma com uma câmera oculta. Ficavam sozinhas no quarto, de frente para o doce, refletindo sobre o que fazer. Não existia nenhum tipo de distração no quarto, nenhum outro brinquedo, fotos na parede, nada, só a tentação do marshmallow.

    O resultado foi pura agonia. As crianças cheiravam o doce, lambiam, colocavam de volta na mesa. Outros, ficavam chutando a pesa, viravam de costas, ficavam cantarolando. Enfim, uma infinidade de comportamentos agonizantes, verdadeira tortura mental, onde uns comiam e outros esperavam. Foram testadas 500 crianças e Walter confirmou a observação inicial, a partir dos 4 anos de idade, as crianças passavam a ter autocontrole e não comiam o doce imediatamente. A variação de tempo que essas crianças conseguiam se controlar foi grande, uns seguravam por 1-2 minutos, outros até 10 minutos, numa média de 7-8 minutos. Mas o mais impressionante foi o que aconteceu em seguida, 5-6 anos depois desse experimento.

    Walter estava conversando com suas filhas informalmente e perguntou como estavam os coleguinhas, agora já em idade escolar. A resposta variava, alguns estavam indo muito bem, outros tinham mais dificuldade na escola. Walter notou uma tendência, aqueles que haviam segurado a tentação do marshmallow por mais tempo, estavam se dando melhor nos testes escolares. Decidiu então esperar mais 5 anos, quando os indivíduos estariam prestando o equivalente ao nosso ENEM, um dos testes mais importantes na carreira escolar americana.

    Veja bem, a idéia não era encontrar correlação nenhuma entre o ridículo teste do marshmallow e as notas escolares dos adolescentes, mas a conclusão foi oposta. A correlação foi extremamente significativa. Aqueles garotos de 4 anos que esperaram mais tempo antes de comer o doce foram os que tiveram as melhores notas nos testes. Notas muito melhores mesmo, a diferença foi gritante, não marginal apenas. Além disso, outros estudos mostraram que as crianças com tempos maiores no teste do marshmallow entraram em melhores escolas, tinham um comportamento melhor. Em nítido contraste, aqueles com tempo menores eram classificados pelos pais como garotos problemáticos, com mal comportamento na escola, envolvimento com drogas e passagens pela policia, inclusive.
    Esses resultados foram tão estranhos que Walter decidiu continuar o estudo.

    Fez uma análise muito mais profunda dos mesmos indivíduos, 40 anos depois do teste do marshmallow. Tudo era melhor nos garotos que tiveram mais autocontrole as 4 anos: melhores empregos, salários mais altos, até a condição física era melhor. Os dados são tão fortes que fazem pensar: será que esse teste, aos 4 anos de idade, consegue realmente prever como vai ser a vida adulta dessas crianças? Uma interpretação desses dados, que não pode ser descartada, é que o autocontrole é geneticamente programado em cada pessoa, em cada cérebro. Ou você demonstra isso até os 4 anos de idade, ou, está estatisticamente condenado ao fracasso.

    Mas, felizmente, existem outras formas de interpretar esses dados. Walter revisitou os vídeos das crianças aos 4 anos e concluiu que, absolutamente, todas as crianças passavam pela agonia do açúcar, mesmo aqueles que seguraram a tentação por mais tempo. Eles não foram modelos de força, também sofreram no teste. A única diferença entre os dois grupos de crianças, foi que as crianças que seguraram por mais tempo simplesmente acharam formas de se distrair da tentação: virando as costas, falando sozinhas, cantando, até brincando com o doce de alguma forma. Pois bem, esses garotos simplesmente tinham uma melhor estratégia para lidar com a situação. E estratégia pode ser ensinada, adquirida.

    E isso foi feito, num outro experimento, foi possível transformar garotos com menos autocontrole, apenas sugerindo a eles uma estratégia, como pensar em uma historinha, imaginar que o doce é uma pedra, ou simplesmente olhar para o lado. Ainda não deu tempo de verificar se os garotos que aprenderam a estratégia vão conseguir melhores notas no colégio. Sinceramente, não tenho tanta certeza do resultado. Acho que como quase tudo na vida, a genética faz a diferença, mas a experiência pode alterar isso de forma significativa, ambos fatores interagindo e influenciando ao outro. Além disso, vale lembrar que, mesmo nos estudos do Walter, existem claras exceções. Alguns garotos que não conseguiram segurar o impulso do marshmallow, de alguma forma, estavam entre os que se deram melhor na carreira.

    Sempre haverá mágica na vida.

    terça-feira, 10 de janeiro de 2012

    VETERINÁRIO ADVERTE SOBRE DOENÇAS PROVOCADAS PELO CONSUMO DE CARNE SEM INSPEÇÃO

    Fonte: Site CFMV - http://www.cfmv.org.br/portal/noticia.php?cod=2279

    Pesquisador da Unesp aponta as enfermidades típicas transmitidas por abates sem controle sanitário e ingestão de carne mal conservada

    Donas de casa e seus familiares correm sérios riscos de contrair doenças perigosas ao ingerir carne bovina procedente do abate de bois sem controle sanitário. A advertência é do médico veterinário Paulo de Oliveira Roça, pesquisador da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp. “Entre as doenças mais graves, estão as chamadas zoonoses, como a tuberculose, toxoplasmose e brucelose”, destaca o especialista, explicando que, em alguns casos, essas enfermidades podem até provocar a morte. Entre os sintomas básicos destas doenças estão vômitos, enjôos, fortes dores de cabeça e febre intermitente.

    Mas, além dos problemas decorrentes do abate irregular, há ainda outras doenças que ameaçam o consumidor. Frigoríficos que conservam mal as carnes processadas ou pontos de venda que comercializam o produto fora do prazo de validade podem transmitir salmonelas e coliformes – o que, segundo Paulo Roça, também pode trazer graves problemas à saúde das pessoas.

    Para se proteger contra males como esses, Roça aconselha o consumidor a sempre verificar se o ponto de venda está limpo e é confiável. “Por exemplo, se os cortes bovinos estiverem em embalagens fechadas e com o selo do Serviço de Inspeção Federal significa que a carne foi trabalhada com todo o cuidado sanitário por parte do frigorífico” – ressalta o pesquisador da Unesp, numa entrevista à Radioweb que pode ser ouvida, na íntegra, no blog Carne Saudável (www.carnesaudavel.blog.br).

    Sobre o blog Carne Saudável

    O blog Carne Saudável (www.carnesaudavel.blog.br) foi criado como um espaço de discussão e alerta para a importância do acompanhamento da qualidade fitossanitária da carne bovina do Brasil, país que é dono do maior rebanho do mundo e produz anualmente 9 milhões de toneladas de carne – 7,3 milhões só para consumo doméstico. Seu objetivo é erradicar possíveis enfermidades e, em última instância, colaborar para salvar vidas. Carne Saudável tem por compromisso denunciar os contraventores que colocam no mercado produtos que põem em risco a nossa vida e a de nossos filhos. Pretende também exigir probidade e decência dos órgãos competentes, cobrando o rigor no trabalho de fiscalização para o qual foram criados, já que metade da carne comercializada no País não passa por inspeção federal e até mesmo frigoríficos legalizados operam sem cumprir as normas fitossanitárias básicas.

    Blog Carne Saudável

    www.carnesaudável.blog.br


    Fonte: Jornal dia dia

    segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

    Desperdício de Alimentos, o lixo e as doenças - Problema mais que atual, problema real

    Edu Marcondes

    Propositamente postei antes iniciar o texto de hoje, uma análise muito contundente que Rosana Jatoba fez sobre o desperdício de alimentos e o que a falta dele tem causado para a população mundial. Escolhi esse texto dela, pelo próprio motivo de ser - uma responsável análise da situação, que como diz a gíria futebolistica, "pegou na veia", de um grave problema social que afeta nosso tempo; Mas também, por que queria o gancho e trazer para o impacto de saúde pública que o desperdício de alimento e o lixo produzido pela humanidade tem causado.

    Que um grande percentual da população mundial passa fome, quase todo mundo sabe mas quase ninguém quer ver de verdade, e principalmente falar sobre isso. É comum serem mostrados número recordes de produção agricola, ou percentuais espantosos de exportações e vendas; Da taxa do PIB (produto interno bruto) do pais que é fruto da agropecuária enfim... Mas tratar com seriedade os problemas de estocagem, distribuição, e principalmente controle do desperdício, ninguém encara, e pior, aceitar que todos nós desperdiçamos nem pensar.

    O próprio desperdício e a má distribuição por si só, já um sério problema de saúde pública; Enquanto boa parte das pessoas está com sobrepeso, outros são sub-nutridos. Qual é pior para a saúde? Sem considerar o lado humanitário e sendo bem pragmatico é possivel afirmar que os dois são caóticos. O excesso de alimentos tem elevado as taxas de problemos cardiovasculares e sobre carga do sistema de saúde; Já a sub-nutrição é mais emergencial e talvéz mais catastrofica mas tão preocupante quanto.



    Além do problema do desbalanço nutricional, que não quero me aprofundar muito por não ser minha especialidade; temos um outro que parece se insolúvel - O lixo que o desperdício gera - , e aqui quero ampliar a análise para todo tipo de lixo, não só o do desperdício alimentar.

    Para quem trabalha em Vigilância, sobretudo ambiental, certificar que o acúmulo de lixo, sem destinação adequada é o principal potencial propagador de doenças nas cidades, não carece de muito esforço. O pior é ter que certificar o tamanho da dificuldade que os serem humanos tem para assimilar uma conduta simples que é a destinação adequada dos seus resíduos.

    Hoje ao dar uma entrevista em um jornal regional sobre Dengue, pude abordar o assunto, e tentar em um exaustivo trabalho de formiguinha passar a mensagem que enquanto as pessoas não se convecerem que quem gosta de lixo é rato, escorpião, barata, insetos, mosquitos, enfim uma diversidade biológica que depende de materiais orgânicos em decomposição, água parada, restos de alimentos entre outros, para manterem seus ciclos de vida.



    Enquanto estivermos no meio desse ciclo biológico certamente estaremos todos expostos às doenças que esse serem transmitem. Estamos no incio de 2012, o ano que tem tudo para ser de mudança profunda da humanidade, desde que as pessoas queiram mudar. Todo mundo sabe, ou pelos menos as pessoas que tem condição de tomar decisões que impactem na sociedade, sabem que os alimentos cada vez serão mais escassos - com a população crescendo no ritmo que vem, daqui a algum tempo nem que desmatemos tudo que existe, não seremos capazes de produzir alimento para todo mundo, e o desperdício somente piora essa quadro.

    Essas pessoas sabem também que a falta de destinação correta de lixo, bem como a falta de urbanização das cidades, joga as pessoas no meio do ciclo das doenças mais se alastram hoje em dia: Dengue, Leishmaniose, Leptospirose, Toxoplasmose, Verminoses entre outras. Além disso ninguém assume com vontade o papel de ajudar a mostrar que o careta é jogar lixo em qualquer lugar. É triste ver crianças nos dias de hoje em grandes cidades de um pais como o Brasil convivendo em meio a dejetos de animais e lixo, e pior ainda com fome.



    Sabem também que o desmatamento desenfreado, não é meramente um problema dos "ecochatos", nem tão pouco meramente climático. Se a humanidade quer sofrer as conseqüências dos problemas do desmatamento, como enchentes, desmoramentos, secas, e maior acesso de vetores de doenças em centros urbanos, é só continuar no ritmos que está, só não vale reclamar depois. Quem joga lixo no terreno do vizinho e pega Dengue, pediu pra pegar. O problema é que isso não fica só com ele se alastra pela cidade.

    É amigos, hoje em dia ser ecologista , socialista, ambientalista ou coisas do genêro não é mais apenas um rótulo que os conservadores se arrepiam, é questão de necessidade. A sociedade mudou, o mundo mudou e está mudando, se para melhor ou pior depende da gente. É hora de deixarmos os pré-conceitos de lado para podermos nos garantir enquanto sociedade do futuro. Chega de ficarmos apegados as mesquinhezas ou obseções sem sentido, o mundo é muito maior, e as coisas acontecerão concordemos ou não. Então vamos nos unir em torno de situações que de fato interessam para melhorar nossa vida e de nossos descendentes nesse mundo, o que cada um fará individuamente de sua vida desde que não afete a dos outro, deixa pra lá.